Tempos modernos
Ainda estou no espírito da Provence e também da Idade Média: estou lendo Les demoiselles de Provence, que acabou de ser lançado aqui na França. Um romance medieval, que mistura ficção e fatos históricos.
O mote do livro são as manobras político-diplomáticas de um conde da Provence, que nos idos do século XIII ainda não pertencia à França, para casar suas quatro filhas com os mais poderosos reis da época.
A primeira ele casou com o rei da França e a segunda com o rei da Inglaterra, contando que a eterna rivalidade dos dois garantiria a integridade de suas possessões. Um velaria para que o outro não se apoderasse das terras do sogro.
As duas meninas foram casadas aos 13 anos e, até o momento atual da leitura, elas estão satisfeitas com as escolhas do papai, assim como seus respectivos reis.
Ah, se na vida real as coisas fossem fáceis assim. No que diz respeito ao encontro amoroso, tudo está muito complicado.
Não faz muito tempo, um casal se encontrava, se gostava, namorava e quase sempre se casava.
Até que veio a revolução sexual dos anos 60 e tudo mudou: a pílula que possibilitou à mulher determinar a quantidade de filhos que queria ter, mas principalmente, sua entrada no mercado de trabalho desembocou no aumento do número de divórcios, de uniões livres, de solteirice como opção de vida.
Ruim? Não diria. Diferente, com certeza.
A individualização, a desacralização do casamento, a desmistificação das experiências extraconjugais e do divórcio puseram um ponto final nos mitos de príncipes e princesas encantados que povoaram nosso imaginário durante séculos.
As relações amorosas modernas já nascem com o pé fincado no realismo. Não cabem mais os chavões “só vou se você for”, “por trás de um grande homem existe uma grande mulher” e outros que faziam de duas pessoas uma coisa só.
O sociólogo François de Singly selou a expressão “livres juntos” para definir essa relação que conjuga compromisso amoroso e liberdade individual. Gostei.
O amor é necessário à nossa saúde física e mental. Li uma pesquisa médica dando conta que pessoas casadas, seja qual for a forma de casamento, vivem mais do que as solteiras.
Assim, casais que estão juntos, mas não moram sob o mesmo teto já aparecem nas estatísticas de institutos de pesquisas.
É claro que esse tipo de relação exige mais cuidados e atenções com o parceiro que o modelo anterior, em que se acreditava que o casamento garantia a posse do outro, tanto física como emocional.
Hoje em dia se diz o amor é como uma florzinha, que precisa ser regada e cuidada para não morrer.
Uma florzinha, dentro de um jardim secreto com muitas e muitas flores, que cada um guarda só para si.
Escrito por Teresa Abreu às 14h27
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