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Férias !!!
Minhas férias estão chegando. Viajo para o Brasil no próximo dia 15 e só volto no início de junho. Até lá, vocês podem ir deixando seus comentários nos meus posts. Por enquanto, então,
Adeus escritório

Adeus, notícias ruins

Adeus, frio

Adeus, poluição

Vou para Salvador, Recife e Olinda, Fortaleza, São Luís, Lençóis Maranhenses e, claro
Foto de Percy Thompson
o meu Rio de Janeiro !!!
Escrito por Teresa Abreu às 15h25
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Memória curta
O Brasil na Segunda Guerra Mundial
Reconheço que sou uma manteiga derretida. Mas algumas lágrimas são perfeitamente justificadas diante da injustiça, do descaso, do desrespeito mesmo. Estava eu navegando pela Internet, quando me deparo com um texto do jornalista e professor Milton Coelho da Graça, intitulado Reflexões no “Dia da Vitória”. Muito indignado, Milton comentava a postura primeiro-mundista da mídia brasileira, que encheu páginas de jornais e revistas, além de noticiários televisivos e radiofônicos com informações sobre as comemoração dos 60 anos do fim da II Guerra Mundial, em Moscou, mas se privou de comentar minimamente a participação brasileira no conflito, em que os pracinhas lutaram ao lado dos aliados na Itália, e até protagonizaram a tomada do Monte Castelo.

Não passa pelas cabeças brasileiras que o Brasil também deveria estar representado na capital russa? Se não pelo número de soldados enviados (25.334 mais 67 mulheres enfermeiras), ao menos pela coragem e, sobretudo, pela boa lembrança que deixaram na memória dos italianos. Ah, os italianos, estes sim, não se esqueceram de homenagear os brasileiros. No dia da comemoração, a emissora History Channel transmitiu o filme Il filo brasiliano (O fio brasileiro), que relata a ação dos pracinhas na libertação do país da ocupação nazista. “Fiquei surpresa quando um dos moradores de Montese me disse que se não fosse pelo Brasil e pelos brasileiros eles estariam falando alemão, ou teriam morrido de fome”, diz a diretora italiana Marilia Cioni, que contou, para a realização de seu documentário, com recursos da Fundação Mediateca Regional Toscana, do governo da Região Emília Romagna e de oito prefeituras italianas, além do Ministério das Relações Exteriores e do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.

O embaixador do Brasil em Roma, Itamar Franco, na comemoração do armistício
Marilia conta ainda que, nos cerca de 30 cidades e lugarejos italianos que percorreu colhendo depoimentos para seu filme, viu ruas, avenidas, praças, monumentos, placas ou pedras com o nome do Brasil. Em Montese, onde a Força Expedicionária Brasileira (FEB) travou a batalha mais difícil e teve 400 baixas, a bandeira do Brasil é hasteada ao lado da italiana todo 25 de abril !!!
Por que tanta consideração por uma tropa tão pequenininha? Aí vai o depoimento da jornalista brasileira Mirtes Guimarães, que também visitou a região onde os pracinhas lutaram. Deixo a moça relatar com suas próprias palavras: “No grupo de turistas em que eu estava, havia americanos e europeus cujos países lutaram pelos aliados. Bom, o pessoal das cidadezinhas pouco se importava com a origem do grupo, mas quando eu falava a palavra Brasil, recebia de volta sorrisos, afagos e olhares amistosos. Sabe porque? Não era por conta do Pelé, do café ou do samba. Era porque os pracinhas brasileiros eram os únicos soldados que não estupravam nem ofereciam cigarros, chocolates ou comida em troca de transa com as meninas italianas.”
Pode me chamar de sentimental. Eu chorei quando li isso.

Fontes: BBCBRASIL.com; Agência USP de notícias
Escrito por Teresa Abreu às 15h54
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Viva a Primavera!
Estação de flores e amores
A chegada da primavera no hemisfério Norte é coisa séria. Depois de meses de frio intenso, caras fechadas, quilos a mais, roupas escuras e pesadas, uma abominável brancura de escritório, a vida renasce, esplendorosamente, com a estação das flores. O primeiro solzinho é pretexto para se espichar pelas praças, parques ou pela calçada, já que os cafés estão sempre lotados, com suas já tradicionais cadeiras viradas para o passeio. Porque uma coisa que parisiense gosta é de ver e de ser visto.

Por essa época começa a pequera intensa. Os paqueradores fazem plantão nos locais mais visitados pelos turistas. A tática é a seguinte: quando vêem uma mulher sozinha, abordam: "Excuse me". Se você pára, ele pergunta, ainda em inglês, se você fala francês. Você responde e ele pergunta de onde você é. Nova resposta e ele diz que adora o seu país e pergunta se pode caminhar um pouco com você, para contar a viagem inesquecível que fez a Salvador, ao Rio, a São Paulo, se a abordada for uma brasileira, lógico. Se colar, colou.

Mas nem só de paquera vive a Primavera parisiense. É neste período também que os artistas tiram a viola do saco para tocar em público, em troca de algumas moedinhas. Alguns são ótimos e enchem o seu passeio de beleza e arte.

No quesito conforto, a cidade é imbatível. Não faltam nem mesmo bebedouros e banheiros públicos, estes últimos sempre limpos e providos de papel-higiênico. Não é à toa que Paris é a cidade que mais atrai turistas no mundo inteiro. E isso, desde os primeiros dias da Primavera.
Escrito por Teresa Abreu às 16h20
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Um ano!
Motivos não me faltam para comemorar meu primeiro aniversário em Paris, completado em 1º de maio. Melhorei meu francês, encaminhei os meus filhos em seus estudos, conheci o Jean-Pierre, fiz novos amigos (Se Canto e Filles de Paris). Sem falar nas aulas de canto com a polonesa Lila, uma simpatia. Fui muito ao cinema, pouco ao teatro, mas me iniciei na ópera (ou melhor, fui iniciada pelo Jean-Pierre) e li – li muito. Em francês, obviamente.
Entre minhas diversas leituras, que versaram sobre tudo, ou quase, descobri uma biografia romanceada do pintor italiano barroco Caravaggio. Um calhamaço de 780 páginas que devorei na semana em que estava de licença médica, impedida pelas dores na coluna de saracotear por aí justo nos primeiros dias mais quentes da primavera parisiense. Bem, mais ou menos. Lá pelas tantas, cansada de imaginar os quadros tão minuciosamente descritos no livro, decidi ir conferir de perto... no museu do Louvre.
Achei três quadros de Caravaggio e um deles, Morte da Virgem, me emocionou pelo fato de que eu tinha acabado de ler sobre o seu processo de criação. A obra foi rejeitada pelos bispos da Contra-Reforma porque a modelo que Caravaggio utilizou para pintar a mãe de Jesus era uma prostituta grávida e... morta. Mortinha. Ela tinha se suicidado e o pintor pediu autorização no necrotério para pintar o cadáver.
Que experiência! Só mesmo estando na Europa para fazer uma coisa dessas: você larga o livro, pega o ônibus e vai logo ali, no Louvre, conferir ao vivo e em cores o que a imaginação produziu por intermédio da leitura.
Meu projeto para o segundo semestre de 2005: fazer um curso de História da Arte no Museu do Louvre e, programar um tour artístico-cultural por Roma, nas minhas próximas férias, para ver as obras de Caravaggio e de outros mestres barrocos. Aliás, foi aqui em Paris também que eu descobri que o barroco é o meu estilo favorito, tanto na pintura como na música. Fiquei tão maravilhada ao ouvir no filme Le pont des Arts a música Lammento della Nimpha, de Cláudio Monteverdi, que fui fazer aula de canto, em que revelei uma bela voz de soprano... segundo a minha professora, modéstia à parte.

Morte da Virgem, segundo o autor, os bispos que recusaram o quadro eram muito "íntimos" da modelo

Amor Vitorioso, imagino o escândalo que este quadro não causou em 1602/3, auge da Inquisição
Escrito por Teresa Abreu às 14h56
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