La vie est belle!


Florence Aubernas

100 dias de cativeiro

Não me canso de me emocionar com o espírito de corpo da mídia francesa, manifesto nos casos de seqüestro de jornalistas, no Iraque. Primeiro, foram George Malbrunot e Christian Chesnot, cujo tempo de cativeiro era contado diariamente no rádio, televisão, jornais e revistas. A libertação dos jornalistas foi motivo de festa em todo o país.

Hoje fazem 100 dias que Florence Aubernas, do jornal Libération, e seu intérprete iraquiano Hussein Hannoun estão detidos no Iraque e os diretores de radações organizaram uma grande manifestação nacional. Ao longo de todo o dia as emissoras de televisão exibem a logo "Florence/Hussein 100º dia de cativeiro", criada pela  TF1. Os jornais também publicaram a logo na primeira página. As emissoras de rádio estão transmitindo uma mensagem gravada nos estúdios da Radio France.

Mas a iniciativa não se restringe à mídia. A prefeitura de Paris disponibilizou os 170 painés luminosos da cidade para transmitir mensagens de 100 cidadãos do povo, completamente desconhecidos dos reféns, mas que também se ressentem do cativeiro deles. Amanhã, sábado, 100 cidades francesas estarão soltando 100 mil balões com os nomes de Florence e Hussein. As portas dos teatros serão abertas para leituras de mensagens do público.

Eu sempre fico arrepiada com essas manifestações



Escrito por Teresa Abreu às 11h56
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Sérgio Vieira de Mello

A caminho de Bagdá faz pré-estréia em Paris

Um brasileiro a serviço da paz

Foi apresentada na Embaixada do Brasil em Paris, na segunda-feira, 11 de abril passado, a projeção em pré-estréia do documentário A caminho de Bagdá, de Simone Duarte, sobre o diplomata brasileiro da ONU, Sérgio Vieira de Mello, morto em 19 de agosto de 2003 no atentado terrorista perpetrado pela Al Qaida contra a sede da ONU em Bagdá.

Simone fez a rota dos lugares onde Sergio serviu como representante das Nações Unidas (Camboja, Líbano, Ruanda, Moçambique, Bósnia), como Alto Comissário para Direitos Humanos (Timor Leste) e, finalmente, como Representante Especial (Iraque), colhendo depoimentos de funcionários da Organização, membros dos governos locais e pessoas do povo que conviveram com Sérgio em sua carreira de 30 anos a serviço da paz.

 

Mesmo sem a intenção de cair no discurso piegas, a maneira emocionada com que os entrevistados se referem a Sérgio Vieira de Mello arrancou lágrimas, na platéia, de algumas pessoas que conviveram em algum momento com o carioca de 55 anos, a quem chefes, pares e subordinados se referem como uma pessoa ao mesmo tempo dura e charmosa, ou melhor, extremamente charmosa.

 

Bela homenagem a um brasileiro tão pouco conhecido de seus compatriotas e que, no entanto, teve o reconhecimento da comunidade internacional até o último minuto: seu corpo está sepultado em Plainpalais, no conhecido “Cemitério dos Reis”, em Genebra, Suíça.

 



Escrito por Teresa Abreu às 11h16
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Viva a diferença!

Recebi ontem um telefonema de Cristine, amiga da Delphine, que conheci por intermédio da Didi em Marselha, no final do ano. Ela acaba de voltar do Brasil e queria me ver. Marcado o encontro, sentamos num café e passei a ouvir o relato empolgadíssimo da mais nova francesa apaixonada pelo Brasil. Tudo para ela é lindo, maravilhoso, sobretudo o sol e os mineiros – ela ficou em Belo Horizonte , mas também a música, a comida... a tal ponto que ela está pensando em se mudar de vez para o Brasil!

Não pude evitar a comparação comigo mesma, pois o entusiasmo dela é idêntico ao meu, em relação à França.

Engraçada essa atração que os opostos exercem sobre os seres humanos. Ela está tão radiante com o sol que brilha no Brasil o ano inteiro quanto eu estou fascinada pelas características das quatro estações, bem marcadas no hemisfério Norte. As camisetas e os chinelos fizeram-na se sentir tão elegante quanto eu, portando o meu mantô em dias de neve em Paris.  Os vinhos, os queijos, o quiche lorraine me dão a mesma água-na-boca que a feijoada, o tutu, o bobó dão a ela. A paquera ousada dos parisienses faz tão bem ao meu ego quanto ao dela a sedução discreta dos mineiros.

Delícia de intercâmbio de impressões e de paixões. Tomara que a globalização econômica e a mundialização social não acabem por destruir as especificidades culturais dos povos que, se fazem do nosso planeta por vezes um barril de pólvora, também tornam a nossa aldeia global tão rica e sedutora. 

                                                   Eros e Psiquê, museu do Louvre

 



Escrito por Teresa Abreu às 17h07
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Se Canto

Linda a experiência de cantar num retiro para idosos. Catorze pessoas muito bem-intencionadas (mesmo sem saber cantar grande coisa) se reuniram com o objetivo de levar um pouco de divertimento aos internos da clínica geriátrica Beau Soleil, num ensolarado domingo da primavera parisiense. O bom-humor dos velhos e velhinhas contagiou a todos. Eles não se furtaram às gozações quando as músicas eram muito mal interpretadas ou eram antigas demais, se ofereceram para nos acompanhar (para nos salvar, na verdade!) e teve até um senhor que, dono de uma memória invejável, recitou uma enorme poesia.

Voluntariado é uma caixinha de surpresa. Você pensa que está fazendo bem ao próximo, mas acaba sendo o verdadeiro beneficiado. A maioria dos idosos da clínica não teve visitas neste domingo, mas todos estavam vestidos à domingueira, como se dizia antigamente, as senhoras maquiadas, meia fina, saltinho; os homens portavam  paletó, sapato e meia. Nada de desanimação, ninguém disposto a "se entregar". 

Dá o que pensar, viu? Olhando aquelas carinhas empolgadas com a nossa cantoria mambembe, tive que pensar que um dia eu posso estar ali, no lugar deles. E espero conseguir chegar lá com saúde e lucidez.

Ouvimos histórias engraçadas. Em retiro tem paqueras sim, algumas velhinhas são taxadas pelas companheiras de "assanhadas", alguns homens são "aproveitadores" e ouvimos até relatos de verdadeiras caduquices. Uma tarde memorável, que deverá se repetir todos os primeiros domingos do mês. Eu me ofereci e o grupo já topou: vou ensinar-lhes Garota de Ipanema.

 



Escrito por Teresa Abreu às 13h56
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