La vie est belle!


Meu novo endereço: http://rioparissemescalas.zip.net

Escrito por Teresa Abreu às 10h16
[   ] [ envie esta mensagem ]




Tempos modernos

Ainda estou no espírito da Provence e também da Idade Média: estou lendo Les demoiselles de Provence, que acabou de ser lançado aqui na França. Um romance medieval, que mistura ficção e fatos históricos.

 

O mote do livro são as manobras político-diplomáticas de um conde da Provence, que nos idos do século XIII ainda não pertencia à França, para casar suas quatro filhas com os mais poderosos reis da época.

 

A primeira ele casou com o rei da França e a segunda com o rei da Inglaterra, contando que a eterna rivalidade dos dois garantiria a integridade de suas possessões. Um velaria para que o outro não se apoderasse das terras do sogro.

 

As duas meninas foram casadas aos 13 anos e, até o momento atual da leitura, elas estão satisfeitas com as escolhas do papai, assim como seus respectivos reis.

 

Ah, se na vida real as coisas fossem fáceis assim. No que diz respeito ao encontro amoroso, tudo está muito complicado.

 

Não faz muito tempo, um casal se encontrava, se gostava, namorava e quase sempre se casava.

 

Até que veio a revolução sexual dos anos 60 e tudo mudou: a pílula que possibilitou à mulher determinar a quantidade de filhos que queria ter, mas principalmente, sua entrada no mercado de trabalho desembocou no aumento do número de divórcios, de uniões livres, de solteirice como opção de vida.

 

Ruim? Não diria. Diferente, com certeza.

 

A individualização, a desacralização do casamento, a desmistificação das experiências extraconjugais e do divórcio puseram um ponto final nos mitos de príncipes e princesas encantados que povoaram nosso imaginário durante séculos.

 

As relações amorosas modernas já nascem com o pé fincado no realismo. Não cabem mais os chavões “só vou se você for”, “por trás de um grande homem existe uma grande mulher” e outros que faziam de duas pessoas uma coisa só.

 

O sociólogo François de Singly selou a expressão “livres juntos” para definir essa relação que conjuga compromisso amoroso e liberdade individual. Gostei. 

 

O amor é necessário à nossa saúde física e mental. Li uma pesquisa médica dando conta que pessoas casadas, seja qual for a forma de casamento, vivem mais do que as solteiras.

 

Assim, casais que estão juntos, mas não moram sob o mesmo teto já aparecem nas estatísticas de institutos de pesquisas.

 

É claro que esse tipo de relação exige mais cuidados e atenções com o parceiro que o modelo anterior, em que se acreditava que o casamento garantia a posse do outro, tanto física como emocional.

 

Hoje em dia se diz o amor é como uma florzinha, que precisa ser regada e cuidada para não morrer.

 

Uma florzinha, dentro de um jardim secreto com muitas e muitas flores, que cada um guarda só para si.



Escrito por Teresa Abreu às 14h27
[   ] [ envie esta mensagem ]




Vi ontem na televisão, pela segunda vez, O Homem da Máscara de Ferro, o filme de Randall Wallace que estreou em 1998 e dividiu opiniões sobre a realização e a interpretação de Leonardo di Caprio no duplo papel do rei Louis XIV e seu irmão Phillippe.

 

Podem me chamar de retardada, mas gosto de filmes de capa e espada, como também gosto de épicos de ficção científica, como Guerra nas Estrelas.

 

Os d’Artagnans e os Luke Skywalkers me fascinam, à falta de bastiões de honradez e dignidade no nosso mitigado dia-a-dia.

 

O dado novo do filme de ontem, para mim, é que, agora, eu conheço pessoalmente os lugares onde as cenas foram filmadas: o castelo d’If, onde estava preso o primeiro Máscara de Ferro, e o castelo de Versailles, onde morava o rei Sol.

 

Fui atrás da história. Descobri que o Máscara de Ferro existiu de verdade, e morreu em 19 de novembro de 1703 na Bastilha, onde estava encarcerado desde 1698, sob a guarda de um carcereiro que no passado fora mosqueteiro.

 

Descobri, ainda, que o prisioneiro usava na verdade uma máscara de veludo negro, e não de ferro, e que foi Voltaire quem inventou a história de que ele seria o irmão gêmeo do rei absolutista.

 

O talentoso Alexandre Dumas, pai, apropriou-se da eletrizante hipótese e, mestre em misturar fatos históricos e ficção, escreveu o soberbo “O visconde de Bragelonne”, em que se baseia o filme de Wallace.

 

A verdade, porém, foi elucidada em 1770, em carta assinada por um certo barão Heiss. Hoje em dia, os historiadores concordam que o Máscara de ferro era um agente duplo, o conde Ercole Mattiole (ou Antoine-Hercule Matthioli), secretário de Estado do duque de Mantoue, Charles IV.

 

Mattiole teria traído o duque, bem como o rei da França, revelando aos espanhóis as negociações secretas relativas à aquisição, pela França, da fortaleza de Casal.

 

Louis XIV teria, então, mandado encarcerá-lo, permitindo, porém, que ele continuasse vivendo com bastante conforto.

 

Quem se importa? A magia da lenda supera a realidade.

 

E eu curti bastante rever Gabriel Byrne, Jeremy Irons, John Malkovich e Gerard Depardieu nas peles de D’Artagnan, Aramis, Athos e Porthos.

 

Além, é claro, dos  Châteaux de Versailles e d'If.



Escrito por Teresa Abreu às 14h49
[   ] [ envie esta mensagem ]




Quequéisso?

 

Por conta do Ano do Brasil na França a emissora France 2 apresentou ontem o programa Fiesta Brazil. Assim mesmo, em spanglish.

Um programa musical, onde os ícones da MPB Gilberto Gil e Jorge Ben Jor cantaram seus sucessos do tempo da minha infância.

Outras brasileiras foram Salomé da Bahia, muito conhecida por aqui por conta de seus espetáculos estilizados, as gêmeas do grupo T-Rio que causaram furor no verão do ano passado cantando “Mamãe em quero”, Eliane Elias e Cristiana Reali, que pode ser muito boa atriz, mas não canta nada.

Os outros participantes do programa eram todos franceses, à exceção da espanhola Victoria Abril que surpreendeu cantando “Mas que nada” sob as barbas de Jorge Ben Jor, e da portuguesa Lio, que destruiu com voz, interpretação e coreografia (aquilo era uma coreografia?) “Toda menina baiana”, sob os olhares complacentes de Gil.

O show em si foi frustrante, mas teve um ponto alto que me valeu os 70 minutos em que fiquei em frente à televisão.

Como fazia com todos os cantores, o apresentador Nagui convidou Salomé da Bahia a sentar-se num banquinho muito alto, após a sua primeira canção. Ora, a moçoila trajava um vestido justíssimo, fantasiada que estava de Carmem Miranda.

“Pas question”, respondeu a baiana.

Metido a engraçadinho, Nagui perguntou como ela fazia para se sentar quando ia a um restaurante.

Sem vacilar, Salomé lhe respondeu: “Mon chèri, eu não vou a restaurante vestida desse jeito. Eu só me visto assim para cantar pra francês”.

Tóóóóiiiiiimmmmm. Elisa e eu rolamos de tanto rir.

Uma pena que todo o gasto dos governos brasileiro e francês com o Ano do Brasil na França não sirva para superar preconceitos e abandonar estereótipos.

O que vem para fora sobre o Brasil é sempre a mesma coisa: as carmens mirandas, as gafieiras (que eu até gosto, mas que foram apresentadas completamente fora do contexto), as sambistas que mostram mais a calcinha do que o samba no pé.

Teve até um exibição nada-a-ver de capoeira com fundo musical de... batucada de escola de samba!

Valei-me, Deus!

Bom fim-de-semana!

Salomé de Bahia já deve ter ouvido tanta piadinha que não perdeu a oportunidade de dar o troco em pleno ar



Escrito por Teresa Abreu às 14h23
[   ] [ envie esta mensagem ]




Esclarecimento

Alguns comentários no post anterior me fizeram pensar que podem estar achando que faço apologia da ditadura.  Não é isso. Civil (Getúlio Vargas) ou militar (Castello Branco), a ditadura é o estado em que mais facilmente a corrupção se prolifera, à falta de controle do Legislativo.

Minha intenção foi mostrar que já existiu no Brasil um certo pudor com relação aos excessos, que parece ter se perdido em algum lugar da nossa história.

A citação dos personagens é a aleatória, embora os episódios relatados sejam verdadeiros.

Eu preciso acreditar que ainda existem políticos fiéis ao país.

Se não, veja o que filosofou o anarquista russo Mikhail Bakunin no século XIX:

" Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável : o governo da maioria das massas populares por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana..."



Escrito por Teresa Abreu às 10h48
[   ] [ envie esta mensagem ]




Para reflexão

Ao assistir Lula defendendo seu filho ter recebido dinheiro da Telemar para tocar uma empresa, Élio Gáspari publicou essa história buscada no fundo do baú:

Em 1966 o presidente Castello Branco leu nos jornais que seu irmão, funcionário e com cargo na receita federal, ganhara um carro Aero-Willys, agradecimento dos colegas funcionários pela ajuda que dera na lei que organizava a carreira. O presidente telefonou mandando-o devolver o carro.

O irmão argumentou que se devolvesse ficava desmoralizado em seu cargo. O presidente o interrompeu:
 
-  Meu irmão, afastado do cargo você já está. Estou decidindo agora se você vai preso ou não.

(Da revista ESPIA, edição nº 17, de 25 a 31/07/05)



Escrito por Teresa Abreu às 13h52
[   ] [ envie esta mensagem ]




Para reflexão

Trechos de “Minha Razão de Viver”, biografia de Samuel Wainer recentemente republicada, extraídos do blog de Moacir Japiassu.

 

 “(...) Getúlio tomou posse em 31 de janeiro de 1951, em meio a imensas celebrações populares. A esmagadora maioria da imprensa reagiu com frieza, com reportagens que de modo algum refletiam o que efetivamente ocorrera. Contrariando as previsões, o presidente Dutra compareceu à cerimônia de transmissão do cargo. Getúlio entrou no Catete carregado pelo povo, foi um espetáculo magnífico. Eu sabia que contribuíra decisivamente para que aquilo ocorresse, sentia-me vaidoso. Assisti à festa no meio do povo, sozinho com minha vaidade. Foram cenas rigorosamente inesquecíveis, mas a imprensa procurou ignorá-las.

No dia seguinte, fiel às tradições da época, Getúlio subiu a serra rumo a Petrópolis, onde passaria as férias de verão instalado no Palácio Rio Negro. A 2 de fevereiro, seria realizada a primeira reunião do novo ministério. Viajei para Petrópolis, encarregado de fazer a cobertura para os Diários Associados. Tratava-se, evidentemente, de uma reunião importantíssima, ao fim da qual seriam anunciadas algumas diretrizes do governo Vargas. Ao chegar ao Palácio, constatei, espantado, que além de mim só um repórter da Agência Nacional subira a serra. Percebi que a imprensa decidira fechar o cerco a Getúlio Vargas através da conspiração do silêncio.

Terminada a reunião, fui convidado a ficar e jantar com a família presidencial. Depois, Getúlio chamou-me a acompanhá-lo à sua sala de despachos, um enorme salão que ele usava para conversas reservadas, entre baforadas de charuto e curtas caminhadas de um lado para outro.

— Tu te lembras de uma frase que me disseste no dia em que começamos a campanha? – perguntou-me de saída o presidente.

Não me lembrava.

— Era uma frase sobre jornalismo – disse Vargas.

Só então recordei a frase que dissera a Getúlio no dia em que me sentei a seu lado para voarmos do Rio de Janeiro ao Amazonas: ‘A imprensa pode não ajudar a ganhar, mas ajuda a perder.’

Naquele dia, eu lhe chamara a atenção para o fato de que era o único jornalista destacado para cobrir sua campanha, enquanto a do brigadeiro Eduardo Gomes mobilizava pequenas multidões de repórteres e fotógrafos. Eu o advertira de que teria toda a grande imprensa contra a sua candidatura. Getúlio retrucara que não precisaria da grande imprensa para ganhar. Ele provavelmente pensava no exemplo famoso de Franklin Roosevelt, que sempre venceu eleições apesar da oposição que lhe moviam os jornais americanos. Em resposta, eu ponderara que, ao contrário do que ocorria em países como os Estados Unidos, no Brasil a imprensa tinha um fortíssimo poder de manipulação sobre a opinião pública, e que não era fácil enfrentá-la. Então, disse-lhe a frase que meses depois seria por ele lembrada na sala de despachos do Palácio Rio Negro.

— Tu reparaste que hoje não veio ninguém cobrir a reunião? – perguntou Getúlio.

Respondi que sim, e observei que fora desencadeada a conspiração do silêncio.

— O senhor só vai aparecer nos jornais quando houver algo negativo a noticiar – preveni. – Essa é uma tática normal de oposição, e a mais devastadora.

Ele andava de um lado para outro. De repente, parou e me disse sete palavras que seriam a senha para abrir-me as portas da grande aventura:

--- Por que tu não fazes um jornal?”

*&*&*&**&*&**&*&*&*&**&*&*&*&*

“(...) Taciturno, deslocado no ambiente em que vivia, desgostoso com a vida de mascate, Jaime Wainer sempre esteve distante dos filhos. Dormia às oito da noite e acordava às quatro da madrugada. No quarto, ficava fazendo suas contas de comerciante sem sucesso, murmurando coisas em iídiche. Comprava e vendia mercadorias, mas certamente teria preferido, se lhe coubesse a escolha, outro destino. Ele andava horas a fio pela cidade, fazendo negócios e cobranças – lembro-me de que o velho Wainer tinha muitos fregueses entre os soldados da Força Pública. De vez em quando, parava em algum botequim para tomar pratos imensos de minestrone e beber copos de vinho Telefone, um vinho gaúcho barato, fortíssimo.

Um dia, ele já no fim da vida, encontrei-o no centro de São Paulo. Abraçamo-nos carinhosamente, convidei-o a tomar café, ele aceitou. Logo começou a fazer perguntas sobre a situação política. Olhei seu rosto, sua roupa, seus sapatos. Ele estava sem capa num dia de chuva, os sapatos estavam reduzidos a quase nada. E meu pai mantinha a expressão tristonha que eu conhecera desde menino.

Propus-lhe que comprássemos um par de sapatos. Ele ponderou que os sapatos que usava durariam mais dois anos. Sugeri-lhe, então, que fizéssemos uma troca, ele concordou. A transação foi consumada sob a mesa do bar onde tomávamos café. Passei-lhe um par de mocassins italianos, calcei os sapatos de meu pai. Depois, fiz com que ele aceitasse a capa que eu vestia. Fomos até a esquina, beijamo-nos e nos despedimos. Parado na rua, fiquei olhando aquele homem que interrompia freqüentemente a caminhada para examinar os mocassins que há pouco estavam nos pés do filho. Em seguida, entrei numa loja e comprei sapatos novos.

Jaime Wainer era assim. Eu lhe dava roupas caras, ele vendia. Em 1951, dei-lhe uma caminhonete Dodge do ano, que ele passou a abarrotar de mercadorias até reduzi-la a sucata. Alto, magro, feio, meu pai queria viver sua vida e morrer sozinho, de preferência numa rua qualquer de São Paulo. Eu disse a meus irmãos que não tínhamos o direito de perturbar esse destino. Jaime Wainer morreu da forma que escolhera: na rua, trabalhando, sentiu que a morte se avizinhava. Ainda pude vê-lo com vida num hospital, e abraça-lo pela última vez.

No dia seguinte, eu estava de volta à redação do jornal.”



Escrito por Teresa Abreu às 13h35
[   ] [ envie esta mensagem ]




Três dias na Provence - Último dia: Haute Provence

 

Compreendi porque essas viagens maiores devem ser feitas de carro: impossível desfrutar de tudo o que há a ver e sentir no curto tempo estabelecido pelas agências de turismo. Eu teria tido muito prazer de dar uma parada em mais de um dos minúsculos vilarejos encravados no Verdon. Em Comps, por exemplo, uma cidadezinha completamente medieval, eu passaria tranquilamente uma semana.

 

No último dia de viagem fui a Arles, Baux-en-Provence, Taragon e Avignon.

 

Em Arles visitei as ruínas do coliseu romano. Uma enormidade, e dizem que o de Roma é muito maior. Fui às Termas de Constantino, também em ruínas. Senti-me dentro da História. E visitei a Fundação Vincent Van Gogh, onde havia uma exposição de fotografias sobre a passagem de Picasso pela região.

 

Descobri que com minha carteira de jornalista eu não pago ingresso a museus e monumentos.

 

Fiz uma boa economia em Baux-en-Provence, pois a entrada para a ruína de um deslumbrante castelo medieval custava 7,30 euros.

 

Após uma parada de 20 minutos em Taragon para fotografar o castelo do rei René, seguimos para Avignon, onde os papas, na Idade Média, tinham um suntuoso castelo. Fiquei de boca aberta. Só não pude fotografar porque lá, nem sem flash.

 

Construção grandiosa, exuberante, como, aliás, todas as construções da Idade Média.

 

Fico a imaginar como seria a História da humanidade se não tivesse ocorrido o advento do cristianismo. Se não tivesse havido Jesus e a religião que é a própria base de toda a arte do Ocidente, crucialmente diferente das artes romana e grega, que a precederam, bem mais “licenciosas”, assim mesmo, entre aspas, daquele que foi inaugurada com a moral cristã, que subjugou o sofrimento e o prazer aos desígnios de Deus.

 

Vem à minha mente, também, que esta religião, tão estrita no que diz respeito à moral, é tão libertária e emancipadora quando se trata da defesa do direito individual.

 

Explico: segundo Jesus, todo homem e mulher é digno da atenção de Deus, seja ele (ou ela) branco ou de outra cor, culto ou analfabeto, rico ou pobre, bondoso ou perverso.

 

A idéia do homem como filho de Deus (digno de respeito por sua própria condição) é exclusivamente cristã. A evolução desta idéia pode ser vista, hoje em dia, em termos de nosso uso corrente, como: “direitos humanos”, “direitos civis”, “igualdade de gêneros”, “direito da criança e do adolescente”, “discriminação positiva”.

 

Muito embora, para chegar a esse estado de atenção ao homem, os Iluministas tivessem que romper com a religião, que se tornara sectária e discriminadora.

 

Bom, acho que descobri algo sobre mim mesma: acabo de descrever porque sou, ao mesmo tempo, cristã e humanista.



Escrito por Teresa Abreu às 13h46
[   ] [ envie esta mensagem ]




Três dias na Provence - Segundo dia: Gorges du Verdon

 

As Gargantas do Verdon são o grand canyon europeu. A viagem é longa: três horas de ônibus, a partir de Marselha. A paisagem é composta de precipícios impressionantes e a vegetação é seca, de um verde desbotado.

 

Antes de sair, café-da-manhã no hotel. Nada de frutas, queijo branco ou iogurte. O café-da-manhã francês é feito de suco de laranja, café, chá, leite, chocolate, mel, geléia e pão... muito pão. Não entendo como esse povo não é gordo.

 

Aliás, as mulheres francesas, além de magras, são baixinhas. Ao lado das minhas companheiras de viagem, eu me sinto uma giganta, do alto do meu 1m57!  E enoooorme, com 52 kg.

 

Já que fiz uma pausa para falar das francesas, vou continuar com as minhas considerações. De modo geral, elas se vestem bem. Com simplicidade, pois aqui é um país de classe média, mas procuram harmonizar as cores.

 

Quando, porém, dão para ser exageradas, são MUITO exageradas. Nossa guia, Florine, de mais de 50 anos, parece uma árvore de natal. Hoje ela está toda de verde: saia jeans com a barra em chiffon esfiapado verde, camiseta verde e enormes bijuterias verdes: brincos, gargantilha, anéis, tudo combinando. E uma maquiagem carregadíssima. Ontem foi a mesma coisa, mas na versão branca. Ela usa um espadrille de salto altíssimo, e ainda fica mais baixa do que eu.

 

Bem, voltando à viagem. A estrada que leva à cidade de Moustiers, onde almoçamos, é incrivelmente perigosa. Há trechos em que só passa um carro e a visibilidade é zero. O motorista tem que buzinar a cada curva para evitar uma tragédia e a velocidade não ultrapassa os 30 km/h.

 

Moustiers é um vilarejo encravado no alto do Verdon.  Pena que não tive tempo de passear pela cidade, pois chegamos com uma hora e meia de atraso. Primeiro, um engarrafamento devido a um acidente de moto; e depois, Nadia e Fatina, duas companheiras de viagem, demoraram a voltar do Point Sublime, que faz jus ao nome.

 

O retorno das moças ao ônibus deu ensejo a um barraco e tanto. Uma das minhas companheiras de quarto, Marie-Edith, loura, baixinha e magrinha, começou a gritar que tinha entendido muito bem o porquê do atraso das moças: elas eram de origem magrebina. Uma outra magrebina, mais velha, e tão intransigente quanto Marie-Edith, pôs-se a gritar a seu turno, exigindo que o ônibus fosse a uma delegacia de polícia para ela dar queixa contra racismo! Gente, o bicho pegou! Pensei que as duas fossem sair no tapa. Marie-Edith não parava de gritar: eu não sou racista, estou fazendo uma constatação óbvia! Quando a guia mandou parar o ônibus, os ânimos se acalmaram: a fome e o calor venceram.

 

As fotos estão no flog.



Escrito por Teresa Abreu às 11h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Três dias na Provence - Primeiro dia: Marselha

 

Como eu esperava, a viagem a Provence foi maravilhosa. Três dias de dépaysement, imagens, cheiros e sons novos e deslumbrantes.

 

A primeira parada foi em Marselha, cidade portuária cheia de histórias dos tempos grego e romano.

 

Queria ter ido às Calanques, falésia de calcário branco, característica desta região, mas não deu, por causa do Mistral, violentíssimo vento frio, cuja velocidade ultrapassa tranquilamente os 100 km por hora.

 

Depois de bater perna toda a manhã pelas ruelas do Vieux Port, peguei o barco, às 14:30h para o castelo de If.

 

Para quem leu O Conde de Montecristo, foi neste castelo que Alexandre Dumas encerrou o personagem principal do livro. Foi também a prisão do Homem da Máscara de Ferro.

 

Por influência do inglês Peter Mayle (Um ano em Provence), eu estava louca de curiosidade de provar o pastis, uma bebida à base de anis, tipicamente marselhesa. Nada de extraordinário.

 

Infelizmente, também não pude visitar o interior do castelo. A recepcionista avisou que todos deveriam voltar ao cais e esperar o próximo barco de volta a Marselha, porque o Mistral estava se tornando cada vez mais perigoso. 

 

Na volta, peguei um trenzinho turístico até a catedral de Notre-Dame de la Garde, a padroeira da cidade, que fica no alto de uma colina.

 

Fim do primeiro dia, dei-me o luxo de um jantar indiano. O prato chama-se Indian Thali. Delicioso, mas não posso precisar a que se assemelha o sabor, pois foi algo completamente novo para mim.

 

Vou ter que voltar a Marselha...

Escrito por Teresa Abreu às 12h55
[   ] [ envie esta mensagem ]




ESCLARECIMENTO

 

Meu amigo Edelcio pediu e estou atendendo: a Marcha contra a Corrupção NÃO é contra Brasília ou o povo brasiliense, que está sofrendo, segundo ele me explicou, uma discriminação por parte das outras regiões brasileiras.

 

Como se brasiliense e ladrão fossem termos sinônimos. Peralá, né!  A Câmara e o Senado têm representantes corruptos de todos os estados da Federação.

 

E a representação é proporcional. Quanto mais populoso o estado, maior o número de candidatos à tentação da corrupção.

 

Continuo a favor da Marcha, que é uma manifestação legítima daqueles brasileiros que, como eu, não têm a oportunidade de estar em carne e osso diante do Congresso para proclamar de viva voz sua indignação.

 

Mas daí a achar que a população de Brasília é culpada...

 

Basta lembrar que esta mesma população encheu os enooooormes espaços da Esplanada, no dia da vitória de Lula, para festejar a chegada ao poder de um homem do povo.

 

Os brasilienses estão tão decepcionados e angustiados quanto todos os outros brasileiros.

 

E ainda têm a desvantagem de não poder fingir que não votaram no PT... justamente porque foram filmados.

 

O Brasil e o mundo viram pela TV e, naquele dia, os brasileiros tiveram inveja da festa dos brasilienses.



Escrito por Teresa Abreu às 16h28
[   ] [ envie esta mensagem ]




Devo ser muito doente mesmo. Estou aqui curtindo um de-li-ci-o-so chocolate acompanhado de um cafezinho, após ter almoçado um salmão.

 

Pensa que estou alegre? Longe disso.

 

Ainda estou pensando se devo ou não ficar alegre porque amanhã vou visitar a Provence – viagem esperadíssima, inspirada por meu amigo Flávio, de Montevidéu, que um dia me escreveu dizendo que eu deveria ler Peter Mayle, um inglês que mora há mais de 20 anos no sul da França e escreveu livros bárbaros sobre sua vida provençal.

 

Pois é, já que eu posso (risos), vou conhecer este paraíso terrestre que, ultimamente, nem paraíso é mais: os incêndios criminosos estão devastando essa idílica região.

 

Mas o meu baixo-astral está lá: não posso ler sobre corrupção no Brasil, corrupção no alto escalão da ONU, judeus americanos acampando na faixa de Gaza (há tempos estou dizendo que a retirada dos colonos, prevista para daqui a 5 dias vai ser uma desgraça), desentendimentos entre a Rússia e a Polônia, o Irã produzindo a sua bomba atômica...

 

Mas, Teresa, minha santa, o que você tem que ver com tudo isso? Eu sei lá, só sei que eu sofro.

 

Um amigo me disse no início desta semana que “o mundo está se tornando um lugar desconfortável”. A título de informação, a frase é da Anna Arendt.  Ela tinha toda a razão.

 

Mas, como não quero ser chata e rabugenta, confesso que estou bastante satisfeita com uma pequena vitória. Consegui comprar, depois de revirar Paris de cabeça para baixo, uma manteigueira.

 

Está certo que eu não queria uma qualquer. Queria uma manteigueira colorida, diferente.

 

Bati perna três dias! por vários bairros até que finalmente, decidi ir a Montmartre. Pensei: lá é um lugar de artistas, deve ter algo que se pareça com o que eu quero.

 

Não deu outra: olha só o que eu achei!

 

 

 

Acho que estou desparafusada hoje. Vou parar por aqui. Bom fim de semana!

 

P.S. Não deixe de clicar no banner do post abaixo e participar da caminhada ao Congresso Nacional contra a corrupção.



Escrito por Teresa Abreu às 13h02
[   ] [ envie esta mensagem ]




É verdade, eu já tinha assentado no meu coração a decisão de não voltar a falar sobre a situação política do Brasil, mas o e-mail que recebi hoje de uma jornalista brasileira aqui em Paris me chamou à responsabilidade cívica.

 

Então, estou convidando você a participar da e-indignação, a maior manifestação popular on-line do Brasil: uma caminhada virtual rumo ao Congresso Nacional contra a corrupção.

 

A caminhada percorrerá virtualmente 1012 km de São Paulo a Brasília. Cada cadastramento representa um avanço de 2 metros na caminhada. Para tanto, são necessários 506 mil participantes.

 

Para quem está no exterior o e-indignação é tudo de bom: um caminhão carregando um grande vídeowall estará à frente do Congresso Nacional no momento da chegada. Assim, você estará participando ativamente, mesmo de longe, deste enorme movimento de indignação nacional.

 

Clique no banner abaixo, inscreva-se e divulgue o e-indignação aos seus amigos.

 

É melhor participar do que morrer de depressão.

 



Escrito por Teresa Abreu às 10h21
[   ] [ envie esta mensagem ]




60 anos do lançamento da bomba de Hiroshima

 

Assistindo ontem na TF1 a um documentário sobre o lançamento da primeira bomba atômica, em Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, uma amarga constatação tomou conta da minha mente:

Os mortos no World Trade Center, em Madri e em Londres são fichinha perto da destruição material, física, moral e psicológica causada pelos  norte-americanos nas cidades de Hiroshima e Nagazaki.

Não que o terrorismo atual não deva ser deplorado. Longe disso.

Mas penso que aquela barbaridade que deixou conseqüências nefastas ao longo das gerações tem que ser melhor conhecida e execrada sempre.

Na escola, por exemplo, aprendemos que o lançamento da bomba se justificou pela intransigência do Japão em se render aos Aliados, que já tinham vencido Hitler e Mussolini na Europa. Ah bom, então está explicado, e não se fala mais nisso.

A tragédia, porém, é inimaginável: a bomba tinha uma potência de 14 mil toneladas de TNT. Essa energia se transformou em calor, vapor e radiação, cada um desses três efeitos sendo em si devastador.

Desde o primeiro milésimo de segundo a energia térmica liberada na atmosfera transformou o ar em uma bolha de fogo que atingiu 1 km de diâmetro sobre Hiroshima em poucos segundos.

Ao solo, a temperatura subiu a milhares de graus no ponto de impacto. Num raio de 1 km, tudo foi instantaneamente pulverizado e reduzido a cinzas. A 4 km do epicentro, prédios e seres humanos entravam em combustão espontânea. Mesmo as pessoas que se encontravam a 8 km tiveram queimaduras de 3º grau.

Em seguida ao calor, veio a onda de choque: a pressão causada pela expansão de gases quentes provocou o avanço da onda, que se assemelhava a um muro sólido, a uma velocidade de quase 1.000 km por hora.  

Esta onda reduziu tudo a poeira num raio de 2 km. Dos 90 mil prédios da cidade, 62 mil foram inteiramente destruídos.

O terceiro efeito, ainda desconhecido em 1945, foi a radiação. Ela causou diversos tipos de câncer, leucemias etc. O mais terrível é que esses efeitos só apareceram meses, às vezes anos, depois da explosão.

As mulheres grávidas no momento da explosão deram à luz bebês com más-formações, principalmente a microcefalia.

Foram 80 mil mortos no momento exato da explosão. Nas semanas seguintes, mais 50 mil pessoas perderam a vida, e no final de 1945, o total de mortos chegou a 150 mil.

Três dias depois foi a vez de Nagazaki.

Em 15 de agosto, o imperador do Japão, Hirohito, anuncia a capitulação incondicional de seu país.

Em 2 de setembro de 1945, com a capitulação japonesa assinada a bordo do Missouri, chega ao fim a Segunda Guerra Mundial.

O Memorial da Paz de Hiroshima exibe os nomes de 221 mil pessoas mortas em conseqüência direta ou indireta da explosão.

Diante dos números e do relato dos poucos sobreviventes, eu cheguei à conclusão de que, em termos de terrorismo e destruição, os homens-bombas da Al-Qaida têm ainda muito o que aprender com os americanos. 

 

Foto: Exército dos EUA



Escrito por Teresa Abreu às 13h13
[   ] [ envie esta mensagem ]




 

A França é o país das reivindicações, das associações, das reclamações, que proliferam como cogumelos (versão francesa do nosso chuchu na serra) para tratar da defesa de tudo contra todos.

 

Mas nenhuma associação é mais popular e mais querida do que a Nem putas nem submissas (NPNS), da qual virei fã incondicional.

 

Com o objetivo de chamar a atenção para o velhíssimo problema de mulheres agredidas por maridos, irmãos, patrões, líderes religiosos e machistas diversos, o NPNS foi criado em 2003, após o sucesso da Marcha das Mulheres contra os Guetos e pela Igualdade, de 1º de fevereiro a 8 de março daquele ano, em vários pontos da França.

O motivo da Marcha era o de protestar contra o assassinato de Sohane, 19 anos, queimada viva em 4 de outubro de 2002 numa lixeira de Balzac, bairro árabe em Vitry-sur-Seine, pelo simples fato de não corresponder aos padrões de comportamento da comunidade.

Ao invés de casar com alguém escolhido por seu pai, Sohane queria ser esteticista e abrir seu próprio salão de beleza.

Corajosamente, 5 moças e 2 rapazes oriundos desses guetos percorreram 23 cidades francesas chamando a atenção da opinião e dos poderes públicos para a condição de meninas e mulheres vítimas dessas leis.

A Marcha chegou finalmente a Paris, onde reuniu 30 mil pessoas por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Hoje o movimento está espalhado em 60 comitês locais por toda a França e começa a alcançar outros países: dois comitês estão em vias de abertura, no Marrocos e no Egito.

Que mulheres e homens do século XXI continuem a botar a boca no trombone!



Escrito por Teresa Abreu às 11h40
[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]




 



Meu perfil
França, Mulher, Livros, Arte e cultura, Jornalismo, Vinhos
MSN - teresabreu@hotmail.com
Histórico
  01/11/2006 a 15/11/2006
  01/09/2005 a 15/09/2005
  16/08/2005 a 31/08/2005
  01/08/2005 a 15/08/2005
  16/07/2005 a 31/07/2005
  01/07/2005 a 15/07/2005
  16/06/2005 a 30/06/2005
  01/06/2005 a 15/06/2005
  01/05/2005 a 15/05/2005
  01/04/2005 a 15/04/2005
  16/03/2005 a 31/03/2005
  01/03/2005 a 15/03/2005
  16/02/2005 a 28/02/2005


Outros sites
  Minhas fotos - Mes photos
  Soraia direto de Chicago
  UOL - O melhor conteúdo
  Repórteres sem fronteiras
  Parisiando
  Vivendo na Noruega
  Daniel na Holanda
  Histoire en ligne
Votação
  Dê uma nota para meu blog